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Contra os A(c)zares... Dragão, que tal ganhares!?!?!?

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A visita a Kyiv, marca o arranque da segunda volta da Champions, a luta pelo apuramento tem por hábito ganhar expressão nesta fase de jornada dupla, sendo que, só o pensamento nos três pontos permitirá ao Dragão acalentar esperanças e continuar a namorar a passagem a próxima fase da competição.

Quando à quinze dias as correntes glaciares do leste percorreram as bancadas do anfiteatro azul e branco, ninguém julgava proeminente o traumatismo (U)craniano, para além de redundar num inusitado desaire, desnudou efeitos secundários na identidade do futebol portista.

Depois de fartos dias de Sol, a vaga de vento gélido e agreste da contenda que varreu o Dragão, juntou a já notada falta de agressividade defensiva, as gritantes limitações da mecanização do processo ofensivo do futebol pelas alas, a escassez de produtividade dos extremos que derivam no afunilamento das movimentações do jogo azul, tornando o conjunto do Professor Jesualdo uma manta de retalhos.

Os tremores são constantes, os argumentos de outrora parecem agora curtos, o que aliado a notória precariedade física não augura nada de bom.

A visita a Kyiv, marca o arranque da segunda volta da Champions, a luta pelo apuramento tem por hábito ganhar expressão nesta fase de jornada dupla, sendo que, só o pensamento nos três pontos permitirá ao Dragão acalentar esperanças e continuar a namorar a passagem a próxima fase da competição.

Sobre os anfitriões, o jogo de à duas semanas, não permitiu aquilatar da verdadeira dimensão e qualidade dos mesmo, apostados no zero a zero, montaram um esquema de tracção atrás, com o empate em mente, reforçaram o quarteto defensivo com dois trincos e três médios que nunca ousaram ultrapassar a linha da bola, com as despesas do ataque entregues a Bangoura, amarraram o 4x3x3 portista num verdadeiro colete-de-forças, manietando todas as movimentações azuis até as tornarem inócuas e inofensivas.

Se ao FC Porto só a vitória interessa, direi que o objectivo mínimo é ganhar, o máximo é uma exibição que nos dê asas para voar; aos ucranianos qualquer ponto somado os mantém no trilho da qualificação, sendo que a vitória lhes permitiria quase que colocar o carimbo em definitivo para os oitavos. Assim, à vista desarmada e tendo em conta estas nuances, não me parece que o cariz do jogo sofra como tal grandes alterações. Os Dragões jogam nesta partida importante cartada e como tal terão de aliar à transpiração, empenho e concentração alguma inspiração dos seus melhores artificies.

A visita ao Stadium Valery Lobanovsky, encerra entre muitas curiosidades, a de ver até que ponto vai a capacidade dos azuis de passarem das palavras aos actos, habituados a conjugar como ninguém o verbo ganhar, as derrotas consecutivas não abalam a convicção do grupo em fazer de Kyiv um ponto de viragem na época, fartos do jejum, na fria capital ucraniana as condições climatéricas apesar de não tão madrastas como o que é costume verificar-se a época, conjugam a temperatura ideal para que a vingança seja um prato que se sirva frio.

Por entre erros e esperanças, fica a minha certeza que este desafio terá forçosamente que mostrar um Dragão com ideais mais convictos onde não floresçam unicamente ideias que passem pelo controlar das acções adversárias, face a açambarcadora falta de confiança que impera no futebol portista urge que do banco saiam tácticas, estratégias e técnicas capazes de nos devolver às vitórias.

Do Dynamo não espero, um onze muito diferente do que actuou no nosso palco, nomes como Bogush, Betão, Aliyev, Diakhate, Mikhalik, El Kadour e Nincovic farão como é hábito parte do núcleo duro, ainda que a troca de posições no grupo, com o seu contendor lhes conferir maior margem de erro, o experiente técnico Semin, por certo jogará na expectativa, atirando desde logo as despesas do jogo para os pupilos de Jesualdo. Detentores de grande capacidade de retenção de bola, este é um dos pontos que vai pôr a prova o Dragão e vai permitir ver a predisposição para o jogo dos Portistas, sabe-se como o FC Porto é uma equipa que gosta de ter bola, (antigamente até sabia o que fazer com ela).

Ora os ucranianos mostraram ser mestres e sólidos suficientemente para gerir os ritmos do jogo, acredito que a jogarem em casa queiram contudo vencer, sendo por isso de prever que o técnico dos ucranianos acrescente ao jogo Milevskiy, conferindo maior peso ao ataque e consentaneamente potenciando o volume de jogo e tempo de bola no meio campo adversário, minando as ambições e a confiança dos Dragões.

Ao mister dos azuis e brancos pede-se que resolva a dicotomia das incertezas e invulgares decisões que invadem os seus pensamentos, Tomas Costa habita todos os pensamentos estratégicos do professor, é certo que o argentino equilibra a faixa direita possibilitando libertar Lucho de tarefas mais defensivas, a verdade é que o seu posicionamento não traduz desequilíbrios nas faixas o que somado a debilidade e parco fulgor exibicional de El Comandante, deixa entregue os movimentos de ruptura e cadência de jogo ao abnegado Meireles. Com Rodriguez longe da performance que o faz galgar metros e encurtar a distância para a baliza adversária, é tempo de voltarmos a falar das transições, dos passes de ruptura e do enlear rendilhado com que o nosso futebol nos aquecia.

A convocatória não preconiza grandes alterações a estrutura de jogo, onde pesam as derrotas consecutivas, sem conseguir estancar os rombos nas laterais, nos eleitos, Stepanov, aparece como meia surpresa, sendo que não sei mesmo até que ponto na mente de Jesualdo este não se configura como aposta e não o incumbe de fechar à esquerda, na baliza não andarei longe da verdade se aposta recair em Helton.

Mais contundente a cisão seria se ao 4x3x3 habitual se seguisse uma espécie de 4x1x3x2, com a dupla atacante a ser constituída por Lisandro e Tarik, ficando o frágil empolgador de hostes azuis, Hulk, como arma de arremesso para uma outra fase do jogo.

Vinte e um anos depois é o regresso a Kyiv, palco de uma das mais brilhantes exibições do passado, hoje a realidade afigura-se mais sombria, navegamos mares revoltos onde os últimos resultados inverteram literalmente o cenário de outros tempos vindouros, resta pois naquela que é a competição das competições, que no Leste renasça o Dragão, sem espaço para atitudes passivas, onde vigore o fervor da sua alma e espírito ganhador, chegamos pois a um dos momentos da verdade desta época, como alguém dizia esta semana nos jornais da caserna Lusa, joga-se hoje em 90 minutos a continuidade na Champions, o perpetuar da azia nos adversários que procuraram no defeso ocupar um espaço que é nosso por direito, que se mostre então que ainda corre nas veias deste Dragão o sangue de Campeão.

Por estes dias é tarefa hercúlea apontar um onze ao Dragão, longe de ter encontrado o onze ideal, fica pois como habitual o meu onze, aqueles em quem acredito, aqueles a quem também eu peço que acreditem, apesar das contingências, aqueles que no fogo e chama do Dragão forjarão apetecida e desejada vitória. Assim, na Ucrânia, somos nós e mais Helton, Sapunaru, Bruno Alves, Rolando, Stepanov, Fernando, Meireles, Lucho, Tomas Costa, Lisandro e Tarik.

LISTA DE CONVOCADOS
Guarda-redes: Helton e Nuno.
Defesas: Sapunaru, Bruno Alves, Pedro Emanuel, Rolando, Lino e Stepanov.
Médios: Fernando, Guarín, Pelé, Raul Meireles, Tomás Costa e Lucho González.
Avançados: Mariano, Tarik, Hulk, Lisandro e Cristian Rodriguez.

# post originalmente publicado no blog BiBó PoRtO, carago!!

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