Quem ganha aos do Mar… não perde o lugar!
A sexta jornada do campeonato nacional trás ao anfiteatro portista o conjunto Leixonense, um dos “culpados” pelo facto de os azuis-e-brancos encabeçarem a tabela classificativa, surpreendentemente distam do topo e inerentemente do seu anfitrião um pontinho. Sábado, o FC Porto procura manter a liderança e se possível cavar a distância para os principais opositores, não descurando nunca que o seu contendor em caso de vitória arrebata por mérito próprio aquilo que deixou às mãos do Dragão na pretérita jornada.
Sabia-se que o inicio de temporada remetia os azuis-e-brancos para um inicio de temporada de fogo, um ciclo infernal com inicio e términus com leões (Supertaça e Alvalade à 5ª jornada), de permeio, visita à Luz e os embates iniciais para a elitista Champions.
Desde logo um aviso, este blog não me compromete com qualquer conduta ou linha editorial, não sou seguidista da SAD Azul, nem tão pouco faço apologia defensiva do técnico que comanda as tropas. Factos são factos, e sem qualquer tipo de redundância ou demagogia barata, a verdade dos mesmos diz-me que por entre as dúvidas que pairam sobre os Dragão, os azuis-e-brancos concluíram em Alvalade esse ciclo inicial, sem distinção, mas líderes!!!
Depois de mil e muitos dias na liderança (1007 mais precisamente), perdida às mãos das gayvotas, e de uma exibição com laivos de provincianismo bacoco e rebuscado que já não usamos, o espectro da debacle psicológica, lançou-nos para traumas, fantasmas antigos, um inferno com expoente máximo em Londres, mas que muitos conotavam como exibições próprias de uma equipa em reconstrução. Os assobios ecoam e no cômputo geral ninguém confere grande margem de aprovação, coroando mesmo esta síntese, como um Dragão intermitente e de arranque soluçante. Diria por fim que se o plantel portista e o seu futebol pudessem ser comparados a uma orquestra, o público pediria que ao tom se subisse uma oitava.
Permitam-me que volte umas linhas atrás, a liderança, não a que parece desvanecida nas mãos de Pinto da Costa, Jesualdo e outros que tais, mas à liderança da Liga Sagres…
A sexta jornada do campeonato nacional trás ao anfiteatro portista o conjunto Leixonense, um dos “culpados” pelo facto de os azuis-e-brancos encabeçarem a tabela classificativa, surpreendentemente distam do topo e inerentemente do seu anfitrião um pontinho. Sábado, o FC Porto procura manter a liderança e se possível cavar a distância para os principais opositores, não descurando nunca que o seu contendor em caso de vitória arrebata por mérito próprio aquilo que deixou às mãos do Dragão na pretérita jornada.
Sobram estórias e factos históricos a rodear estes embates, separados por uma dezena de quilómetros, os vizinhos do outro lado da VCI, só por uma ocasião lograram vencer os da casa a contar para o nacional, em vinte e três confrontos a margem dessa derrota só por mais uma vez levaram pontos, contudo não haverá por certo nenhum adepto das muy nobres cores azuis-e-brancas que não lembre o amargo de boca que foi a derrota em pleno estádio das Antas na final da Taça de Portugal de 60/61.
São ancestrais rivalidades, tamanhas que em tempos idos refutavam terminantemente qualquer hipótese de transferência de jogadores entre os emblemas em questão. Hoje em dia, o cenário é bem menos hostil, e muitos são os que fazem a viagem em sentido inverso (Diogo Valente, Ezequias, Vieirinha, Paulo Machado, etc…), só para relembrar os mais recentes.
Futebolisticamente, este Leixões é hoje bem diferente da equipa que foi bombo da festa no Torneio Cidade de Braga, depois do arranque em falso na Liga, não mais pararam de somar pontos, são um dos conjuntos com melhor registo de vitórias fora, ainda que com parca produtividade ofensiva atestada por uma média de 1,4 golos marcados, ainda que decorridas uma mão cheia de jornadas sejam também das que melhores argumentos futebolísticos apresente.
Comandados por José Mota, um técnico experiente, matreiro e bastante astuto, um dos que estuda bem os adversários, que incute grande rigor táctico e arreganho na disputa de cada metro quadrado do campo, um meticuloso do futebol obreiro que prima na hora de manietar os transportadores de bola dos adversários deixando-os envoltos numa qualquer camisa-de-forças que por vezes só a muito custo conseguem desenvencilhar-se.
Com substanciais mexidas no plantel, os artificies deste surpreendente arranque têm nome, Wesley, Braga, Zé Manuel, Beto e Bruno China, são aqueles que mais sobressaem no esquema de jogo do técnico matosinhense, equipa que vende caro qualquer resultado, que não abdica dos seus princípios e procura discutir o domínio de jogo, o filme do jogo está feito na cabeça de José Mota. O guardião dos “sardinheiros” atirou no pós jogo frente ao emblema benfiquista que “vamos ao Dragão para ganhar” (espero que seja só experiência), fica apesar de tudo dado o mote para o que muitos apelidam de assalto à liderança.
A viver dias difíceis, abertas as portas de novo eleante e inegável ciclo de alto calibre competitivo, os azuis-e-brancos socorrem-se uma vez mais do panorama interno para sarar e lamber as feridas abertas pela vaga de frio vinda dos confins da Europa comunista, adensando e carregando ainda mas o rol de dúvidas que pairam sob o Dragão.
A convocatória mostra Nuno de pedra e cal na guarda da baliza, a surpresa fica para nova exclusão de Helton e para Tarik, preterido em detrimento de Candeias, os eleitos mostram ainda o que a ressaca europeia deixava antever, Fucile não recuperou ficando a lateral esquerda entregue a Lino.
Urge reagir ao mau momento. No futebol como em outras tantas situações tempo é coisa que falta, e quando não se ganha esse tempo parece ainda mais efémero, curiosamente ou talvez não Bruno Alves saiu a terreiro e na press release alinhou pelo mesmo diapasão de Pedro Emanuel (capitão) e do timoneiro Jesualdo, de peito oferecido às balas foi dirimindo argumentos, justificando a pobreza das exibições com adaptação e com a dificuldade de percepção por parte dos “novos” do que é jogar à Porto e no Porto.
Ainda que de bom grado dê o beneficio da dúvida a um dos poucos que encarna na perfeição a mística azul e branca, fica difícil perceber porque vivem os onzes apresentados pelo Prof. Jesualdo Ferreira, constantes mutações???
Para hoje, para além da vitória, defesa e consolidação da liderança, limpeza da imagem, põe-se as habituais dúvidas tácticas da estrutura de jogo do Dragão... Mariano ou Tomás Costa???
O primeiro demasiado intermitente apesar da sua abnegação pouco ou nada empresta ao carrossel portista que se quer para o centro do terreno, inconsequente nos duelos individuais, não me admira que o argentino Tommy espreite a titularidade, ele que não sendo a solução milagrosa para o desbloqueio do futebol azul, é a meu ver um jogador que acaba por encher o campo, com influência capital em quase todos os sectores de jogo dos Dragões. Jogando sobre a direita não só protege o verde Sapunaru das investidas adversárias, como consolida o meio campo permitindo movimentos de quatro médios, que a nova dinâmica do 4x3x3 configura. O jogador alvi celeste empresta ao jogo uma energia positiva, oferecendo a Lucho, em nítida decadência física, a muleta para a capacidade de progressão em toques curtos, permitindo ao compatriota alguma poupança de esforços em fase defensiva.
Com a extrema-direita órfã de um desequilibrador, Tommy consegue ainda aparecer com algum preceito e qualidade por essa faixa, arrancando com alguma capacidade e qualidade cruzamentos que fazem perigar os últimos redutos
adversários, à falta de melhor ou salvo as contingências propiciadas por Jesualdo e seus devaneios, medos e receios, esta oferece-se-me como a melhor e óbvia opção. A hipótese esta pelo menos desenhada com naturais e visíveis resultados profícuos, merecendo que se equacione tal desiderato.
Com evidentes dificuldades nas laterais, e subsequentes danos colaterais no resto da manobra, já tudo foi dito sobre a quem só resta a possibilidade de melhorar, já todos vimos que aqueles que saíram não foram esquecidos, mas também não me incluam no peditório para profetas da desgraça.
Este não é o FC Porto que me habituei a ver jogar, sobretudo ao nível da qualidade de futebol, mas para os mais esquecidos ou de memória menos afoita, no ano passado por esta mesma altura discutíamos não derrotas, felizmente, mas qualidade de jogo, disfarçada apenas pelos golos de Lisandro. Este ano, as ditas molduras de ferro teimam em minguar o espaço existente na quadratura desenhada pela mesmas, obliterando a que o Dragão volte a sorrir, confinando que as dúvidas sejam tamanhas que se debitem de enxurrada até fazer um mar.
Se o tempo é de maré baza e estes são mares nunca d’antes navegados, ganhar é mesmo o melhor remédio, a terapêutica aconselha que se usem os mesmo que nos fazem sofrer, tal qual uma vacina feita a base de inocular o próprio vírus para que o organismo produza os aconselhados anti-corpos, como tal a excepção da alteração preconizada de argentinos, alvitrada em parágrafos anteriores, os escalonados deverão ser Nuno, Sapunaru, Bruno Alves, Rolando, Lino e Fernando, Meireles, Rodriguez, Lucho, Tommy e Lisandro, porque a visita dos homens do mar, deve ser encarada com a mesma classe, astúcia e argúcia com que nos brindará o Amigo Paulo Pereira no seu esmiuçar das incidências do jogo.

LISTA DE CONVOCADOS
Guarda-redes: Nuno e Ventura.
Defesas: Sapunaru, Bruno Alves, Pedro Emanuel, Rolando e Lino.
Médios: Fernando, Guarín, Raul Meireles, Lucho e Tomás Costa.
Avançados: Cristian Rodriguez, Farias, Hulk, Lisandro, Mariano Gonzalez e Candeias.
# post publicado originalmente no blog BiBó PoRtO, carago!!



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